Não é novidade para ninguém que a Tesla deixou de ser apenas uma fabricante de veículos elétricos de nicho para se transformar em um verdadeiro império tecnológico. Apesar dessa evolução inegável, os papéis da empresa enfrentaram uma pressão considerável recentemente. A preocupação de investidores com a queda nas entregas de veículos e o aperto nas margens de lucro acabou deixando a ação para trás em relação ao mercado geral. O início de 2026, de fato, tem sido mais contido para a companhia, que já acumula perdas de quase 14% no ano. Parte dessa cautela faz sentido. Afinal, as entregas do primeiro trimestre ficaram em 358.023 unidades. Esse número frustrou as estimativas, que apontavam para cerca de 365.000, marcando o segundo trimestre consecutivo de resultados mais fracos que o esperado.
Refletindo essa volatilidade, as ações da montadora (TSLA) eram cotadas a US$ 399,07 no mercado à vista, sustentando uma leve alta de 0,10%. Durante as negociações do dia, os ativos oscilaram entre a mínima de US$ 398,19 e a máxima de US$ 406,59, movimentando um volume financeiro expressivo na casa dos 7,7 milhões de dólares.
Muito além da venda de carros A história da Tesla sempre focou no longo prazo, indo muito além do volume de carros que sai das fábricas a cada três meses. E, à medida que a data da divulgação do balanço se aproxima, sobram motivos para acreditar que a queda recente é só uma pausa para respirar, e não o começo de uma crise maior. Quem acompanha os números de perto projeta um cenário favorável. Analistas aguardam que a empresa reporte um lucro por ação (LPA) de US$ 0,36 no primeiro trimestre, um belo salto de aproximadamente 33% na comparação anual. A receita deve girar em torno de US$ 22 bilhões, crescendo 13,4%.
Os dados mostram que a expansão da empresa continua sólida. Ao que tudo indica, o mercado focou excessivamente nas manchetes automotivas de curto prazo e acabou esquecendo o peso cada vez maior de negócios que trazem margens bem mais atrativas. A companhia tem um leque de novidades no radar que pode impulsionar uma forte recuperação. Há uma enorme expectativa envolvendo a monetização do software de direção autônoma (FSD), além de avanços concretos no desenvolvimento do robô humanoide Optimus e do projeto Robotáxi.
Avanços em inteligência artificial e energia Outro ponto crucial para a retomada do otimismo é a infraestrutura de tecnologia e inteligência artificial da empresa. O CEO Elon Musk revelou há pouco tempo que a Tesla terminou de desenhar sua nova geração de chips de IA focados no sistema de direção autônoma. O chamado chip “AI5” passou pela fase de tape-out, o que significa que o projeto está finalizado e pronto para as fábricas. A expectativa é que a produção em massa comece em 2027. Os trabalhos nos bastidores também não param. Componentes mais avançados, como o AI6 e o Dojo3, já estão em desenvolvimento.
Junto a isso, a divisão Tesla Energy vem ganhando um impulso formidável e assumindo um papel de protagonismo. A instalação dos grandes sistemas de baterias Megapack cresce em ritmo acelerado, transformando a divisão em uma fonte robusta de receita e lucro para a companhia. Executivos da montadora ressaltam com frequência que o armazenamento de energia é uma das frentes que mais cresce dentro do grupo. Bancando essa visão, o mercado já aposta que o segmento entregará um crescimento agressivo, na casa dos dois dígitos, durante todo o ano de 2026 e no futuro próximo.