Em uma demonstração de total controle, Novak Djokovic garantiu sua vaga na terceira rodada do Australian Open nesta quinta-feira. O recordista e dez vezes campeão do torneio não tomou conhecimento de Francesco Maestrelli, fechando a partida com parciais convincentes de 6-3, 6-2 e 6-2.
O veterano de 38 anos, disputando apenas sua segunda partida desde a conquista de seu 101º título no circuito em Atenas, em novembro, movimentou-se com a eficiência habitual. Djokovic golpeou a bola com limpeza durante toda a tarde, um sinal extremamente positivo sobre a forma física do sérvio nestes estágios iniciais da competição.
Após a vitória, o tenista comentou sobre as variáveis do clima em Melbourne. “Pareciam dois torneios completamente diferentes: jogar à noite na estreia e de dia hoje, especialmente com o vento, que acho estar soprando mais forte este ano do que em qualquer outra edição que joguei aqui na Austrália”, analisou Djokovic. Ele ressaltou a necessidade de adaptação, principalmente contra oponentes de saque potente, mas declarou-se satisfeito com sua própria movimentação e impacto na bola.
Embora tenha precisado de sete set points para fechar a primeira parcial de 47 minutos, Djokovic raramente cedeu o comando nos ralis de fundo de quadra. O destaque ficou por conta de seu desempenho no serviço: ele venceu 86% dos pontos jogados com o primeiro saque (43 de 50). Vale lembrar que o sérvio já havia alcançado a marca histórica de 100 vitórias no Australian Open logo na rodada de abertura.
A missão solitária de Cameron Norrie
Enquanto Djokovic consolida seu favoritismo, Cameron Norrie carrega o peso de ser o único tenista britânico de simples ainda vivo na chave masculina. Norrie, que se tornou um símbolo de consistência no tênis britânico — falhou em chegar aos 32 melhores de um Grand Slam apenas três vezes nas últimas 15 aparições —, garantiu sua permanência após uma batalha de quatro sets contra o americano Emilio Nava na quarta-feira.
O próximo desafio, contudo, promete ser o mais árduo até agora. Norrie enfrentará Alexander Zverev, terceiro cabeça de chave, na terceira rodada. O retrospecto é desfavorável ao britânico, que perdeu todos os seis confrontos anteriores contra o alemão no circuito. Apesar da estatística, Norrie entra em quadra com espírito combativo e otimismo.
“Acho que posso incomodá-lo, com certeza”, afirmou o 26º cabeça de chave. Ele reconhece a magnitude da tarefa: “Vou ter que fazer uma partida realmente completa e jogar bem por quatro horas, acredito, para ter uma chance contra ele”.
Recuperação e atmosfera
A confiança de Norrie não é infundada. Após enfrentar problemas físicos e uma queda de rendimento que quase o tiraram do top 100 na última primavera, ele reagiu de forma impressionante e agora busca o retorno ao top 20. “Posso tirar muita confiança das primeiras três semanas do ano, de como estou gerenciando meus games de serviço e colocando muitas devoluções em quadra. Sinto que estou presente em cada ponto”, explicou, citando essa tenacidade mental como sua marca registrada.
O britânico contou com um apoio barulhento da torcida contra Nava e, embora a atmosfera na John Cain Arena para a sessão noturna tenha características diferentes, espera-se um grande ambiente. Para encontrar o caminho das pedras contra Zverev, que foi finalista em Melbourne no ano passado, Norrie precisa apenas olhar para o passado recente: o encontro entre os dois nas oitavas de final, no mesmo Melbourne Park, dois anos atrás, pode oferecer as pistas necessárias para surpreender o rival.